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Saúde do Esperma: O Guia Completo para Homens que Querem Melhorar a Sua Fertilidade

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Saúde dos Espermatozoides: O Guia Completo para Homens que Querem Melhorar a Sua Fertilidade

Quando os casais tentam conceber, o foco recai frequentemente sobre a mulher — o seu ciclo, a sua ovulação, o seu corpo. Mas a fertilidade masculina é igualmente importante, representando cerca de 40–50% de todos os desafios de fertilidade. E no centro da fertilidade masculina está uma coisa: a saúde dos espermatozoides.

Quer esteja a começar a pensar em paternidade, a tentar conceber há algum tempo, ou simplesmente queira compreender melhor a sua saúde reprodutiva, este guia cobre tudo o que precisa de saber sobre a saúde dos espermatozoides — desde como são formados até às escolhas de estilo de vida e nutrientes que podem fazer uma diferença real.

A boa notícia é que a saúde dos espermatozoides não é fixa. Ela responde profundamente às escolhas que faz — e porque os espermatozoides demoram aproximadamente 90 dias a desenvolver-se, as melhorias que fizer hoje podem traduzir-se em resultados mensuráveis dentro de três meses.

Compreender os Parâmetros dos Espermatozoides: Contagem, Motilidade e Morfologia

A saúde dos espermatozoides não é uma única medida — é avaliada através de vários parâmetros-chave que, em conjunto, dão uma imagem do potencial de fertilidade do homem. Quando é realizada uma análise de sémen (também chamada de espermograma), estes são os principais valores que um especialista irá analisar:

Contagem de Espermatozoides

Refere-se ao número total de espermatozoides numa amostra. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera uma concentração normal de espermatozoides de pelo menos 16 milhões por mililitro, com um total de pelo menos 39 milhões por ejaculado. Uma contagem baixa de espermatozoides (oligospermia) reduz a probabilidade estatística de fertilização, embora homens com contagens mais baixas consigam, com sucesso, ser pais.

Motilidade dos Espermatozoides

A motilidade descreve a capacidade de movimento dos espermatozoides. Eles precisam nadar através do muco cervical, subir pelas trompas de Falópio e alcançar o óvulo — uma façanha notável que requer velocidade e precisão direcional. A OMS recomenda pelo menos 42% de motilidade total e 30% de motilidade progressiva (espermatozoides que se movem em direção à frente). A motilidade reduzida (astenosspermia) é uma das causas mais comuns de infertilidade masculina.

Morfologia dos Espermatozoides

Morfologia refere-se à forma dos espermatozoides — especificamente à percentagem que aparenta ser normal ao microscópio. Um ejaculado típico contém uma proporção surpreendentemente alta de espermatozoides com forma anormal. De acordo com os critérios da OMS (critérios rigorosos de Kruger), um resultado de morfologia de ≥4% de formas normais é considerado dentro do intervalo de referência. A morfologia anormal (teratospermia) pode prejudicar a capacidade do espermatozoide de penetrar e fertilizar um óvulo.

Outros Parâmetros

Para além dos três principais parâmetros, uma análise de sémen pode também avaliar o volume do sémen (idealmente 1,4–7,6 ml), vitalidade dos espermatozoides (percentagem de espermatozoides vivos) e níveis de pH. O teste de fragmentação do DNA — que mede danos ao material genético dentro dos espermatozoides — é um marcador cada vez mais reconhecido da qualidade do esperma que as análises padrão de sémen não captam.

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O Declínio Alarmante da Fertilidade Masculina: O que a Investigação Revela

Uma das tendências mais preocupantes na medicina reprodutiva na última meia década tem sido o declínio constante e dramático das contagens de esperma em todo o mundo. Os dados são impressionantes — e para os homens que pensam na sua fertilidade futura, merece uma atenção séria.

Uma meta-análise marcante de 2017 publicada em Human Reproduction Update, liderada pelo Dr. Hagai Levine e colegas, analisou dados de 185 estudos que cobriam quase 43.000 homens na América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia. Os resultados foram alarmantes: a concentração de esperma diminuiu mais de 52% entre 1973 e 2011, com a contagem total de espermatozoides a cair 59% no mesmo período — e o declínio não mostrava sinais de abrandar.

Uma análise de seguimento publicada em 2022 estendeu estes dados até 2018 e constatou que o declínio estava a acelerar, com a contagem de espermatozoides a cair ao dobro da taxa observada antes do ano 2000. Os investigadores descreveram isto como uma "crise" que vai além da fertilidade, notando que a má qualidade do esperma está associada a resultados mais amplos na saúde masculina, incluindo maior risco de cancro testicular, doenças cardiovasculares e condições metabólicas.

As causas deste declínio são multifatoriais e ainda estão a ser ativamente investigadas. As principais teorias incluem:

  • Produtos químicos disruptores endócrinos (EDCs) — amplamente presentes em plásticos, pesticidas, produtos de cuidado pessoal e embalagens de alimentos
  • Estilos de vida sedentários e obesidade — ambos fortemente ligados a parâmetros de esperma mais pobres
  • Dieta pobre — consumo de alimentos ultraprocessados e deficiências nutricionais
  • Stress crónico — que afeta o equilíbrio hormonal e os níveis de stress oxidativo
  • Exposição ao calor — proveniente de computadores portáteis, assentos aquecidos de carros e roupas apertadas
  • Fumo e uso recreativo de drogas

Importa referir que, embora a tendência a nível populacional seja preocupante, também demonstra algo esperançoso: a saúde do esperma é altamente sensível a fatores ambientais e de estilo de vida. Isso significa que existem passos significativos que os homens podem tomar para proteger e melhorar a sua fertilidade.

Dieta e Nutrientes-Chave para a Saúde do Esperma

Os alimentos que consome — e os nutrientes que contêm — têm um impacto direto na produção, qualidade e função dos espermatozoides. Os espermatozoides são particularmente vulneráveis ao stress oxidativo, um estado de desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes no corpo. Uma dieta rica em nutrientes antioxidantes pode ajudar a proteger os espermatozoides deste dano e apoiar uma função reprodutiva ótima.

Aqui estão os nutrientes chave que a investigação identificou como mais importantes para a saúde dos espermatozoides:

Zinco

O zinco é um dos minerais mais importantes para a saúde reprodutiva masculina. Desempenha um papel crítico na síntese de testosterona, formação dos espermatozoides e motilidade espermática. Homens com baixos níveis de zinco têm consistentemente contagens de espermatozoides mais baixas e motilidade inferior. Boas fontes alimentares incluem ostras (uma das fontes mais ricas de qualquer alimento), carne vermelha, aves, sementes de abóbora e leguminosas. A ingestão diária recomendada para homens adultos é cerca de 11 mg, embora estudos sugiram que doses mais elevadas possam beneficiar homens com défices.

Selénio

O selénio é essencial para a formação de selenoproteínas que protegem os espermatozoides do dano oxidativo e contribuem para a motilidade e morfologia dos espermatozoides. Pesquisas indicam que homens com níveis mais baixos de selénio tendem a ter motilidade espermática reduzida. As castanhas-do-brasil são excepcionalmente ricas em selénio — apenas uma ou duas por dia podem satisfazer as suas necessidades diárias. Outras fontes incluem peixe, ovos e cereais integrais.

Coenzima Q10 (CoQ10)

A CoQ10 é um antioxidante natural que desempenha um papel central na produção de energia celular. No contexto reprodutivo, a CoQ10 encontra-se em altas concentrações no fluido seminal, onde ajuda a potenciar a motilidade dos espermatozoides. Vários ensaios clínicos randomizados demonstraram que a suplementação com CoQ10 melhora a concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Os níveis de CoQ10 diminuem naturalmente com a idade, tornando a suplementação particularmente relevante para homens com mais de 35 anos.

Vitamina C

A vitamina C (ácido ascórbico) é um dos antioxidantes mais potentes encontrados no plasma seminal, onde ajuda a proteger o ADN dos espermatozoides do dano oxidativo. Estudos mostraram que a suplementação com vitamina C pode reduzir a fragmentação do ADN dos espermatozoides e melhorar a motilidade. Encontra-se abundantemente em citrinos, pimentos, morangos, kiwi e brócolos.

Vitamina E

Tal como a vitamina C, a vitamina E é um poderoso antioxidante que protege as membranas das células espermáticas da peroxidação lipídica — uma forma de dano oxidativo que pode prejudicar a função dos espermatozoides. A vitamina C e a E frequentemente atuam em sinergia, e a suplementação combinada demonstrou em alguns estudos reduzir a fragmentação do ADN. Boas fontes incluem frutos secos, sementes, óleos vegetais e vegetais de folhas verdes.

Ácido fólico

Folato — e a sua forma sintética, o ácido fólico — está tipicamente associado à fertilidade feminina e à prevenção de defeitos do tubo neural na gravidez. No entanto, a investigação apoia cada vez mais um papel do folato na fertilidade masculina também, particularmente na redução da fragmentação do ADN dos espermatozoides e do conteúdo cromossómico anormal. Verduras, leguminosas e cereais fortificados são boas fontes alimentares.

Ácidos Gordos Ómega-3

DHA (ácido docosahexaenoico), um ácido gordo ómega-3, é um componente estrutural importante das membranas das células dos espermatozoides. Níveis mais elevados de DHA nos espermatozoides estão associados a melhor morfologia e motilidade. Os ómega-3 também têm propriedades anti-inflamatórias que podem apoiar o ambiente reprodutivo geral. Peixes gordos (salmão, cavala, sardinhas), nozes e sementes de linhaça são as melhores fontes alimentares.

O Padrão da Dieta Mediterrânica

Para além dos nutrientes individuais, vários estudos descobriram que a adesão a uma dieta ao estilo mediterrânico — rica em vegetais, frutas, cereais integrais, leguminosas, frutos secos, azeite e peixe — está associada a melhores parâmetros dos espermatozoides. Este padrão fornece uma ampla variedade de antioxidantes, gorduras saudáveis e micronutrientes que, em conjunto, apoiam a saúde reprodutiva.

Fatores do Estilo de Vida Que Podem Danificar os Espermatozoides

Os espermatozoides estão constantemente a ser produzidos e são altamente sensíveis ao ambiente interno do corpo. Vários fatores comuns do estilo de vida podem prejudicar significativamente a saúde dos espermatozoides — e a maioria deles está ao seu alcance para mudar.

Exposição ao Calor

Os testículos estão localizados fora do corpo por uma razão muito importante: a produção de espermatozoides (espermatogénese) requer uma temperatura aproximadamente 2–4°C inferior à temperatura corporal central. Qualquer coisa que eleve a temperatura escrotal pode prejudicar a produção de espermatozoides. Os culpados comuns incluem:

  • Computadores portáteis apoiados nas coxas
  • Assentos de carro aquecidos
  • Roupa interior ou calças apertadas (geralmente recomendam-se boxers em vez de cuecas)
  • Banhos quentes, saunas e banheiras de hidromassagem — o uso regular tem demonstrado reduzir a contagem de espermatozoides, embora o efeito seja frequentemente reversível após alguns meses
  • Trabalho sedentário prolongado em secretária

Tabagismo

As evidências contra o tabagismo para a fertilidade masculina são substanciais. A fumaça do tabaco contém milhares de compostos tóxicos que aumentam o stress oxidativo, danificam o ADN dos espermatozoides, reduzem a contagem de espermatozoides, prejudicam a motilidade e pioram a morfologia. Foi demonstrado que os fumadores têm uma contagem de espermatozoides aproximadamente 13–17% inferior à dos não fumadores, e taxas mais elevadas de fragmentação do ADN dos espermatozoides. A boa notícia: muitos destes efeitos são pelo menos parcialmente reversíveis após deixar de fumar.

Álcool

O consumo excessivo de álcool perturba a produção de testosterona, reduz a contagem de espermatozoides e piora a morfologia dos espermatozoides. Mesmo o consumo moderado — definido como mais de 5 bebidas por semana em alguns estudos — tem sido associado à redução da qualidade do esperma. Para os homens que estão a tentar conceber ativamente, reduzir ou eliminar o álcool é um dos passos mais simples que podem dar.

Stress Crónico

O stress psicológico desencadeia a libertação de cortisol, que pode suprimir a produção de testosterona e perturbar a cascata hormonal que regula a produção de esperma. A investigação encontrou associações entre stress percebido elevado e menor concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. A gestão do stress — seja através do exercício, mindfulness, melhoria do sono ou terapia — é, portanto, um componente legítimo de uma estratégia de fertilidade masculina.

Obesidade

O excesso de gordura corporal, particularmente a gordura abdominal, está associado a níveis mais baixos de testosterona, níveis mais elevados de estrogénio, aumento da temperatura escrotal e maior stress oxidativo — todos os quais afetam negativamente a produção e qualidade do esperma. Estudos mostraram que homens com um IMC superior a 30 têm contagens de espermatozoides mais baixas e taxas mais elevadas de morfologia anormal em comparação com homens com peso saudável. Mesmo uma perda de peso modesta pode produzir melhorias significativas nos parâmetros do esperma.

Ciclismo

O ciclismo prolongado merece uma menção específica porque combina dois fatores de risco: aumento da temperatura escrotal e pressão perineal. Vários estudos encontraram associações entre o ciclismo de alto volume (particularmente mais de cinco horas por semana em bicicletas de estrada) e a redução da motilidade dos espermatozoides. O ciclismo de montanha também tem sido ligado a uma maior fragmentação do DNA espermático devido à vibração. Isto não significa que os homens devam evitar o ciclismo — mas aqueles que tentam conceber podem querer moderar os passeios longos, usar um selim bem acolchoado e fazer pausas regulares.

Exercício e Saúde do Esperma

Embora o exercício excessivo ou extremo possa prejudicar a fertilidade masculina (particularmente desportos de resistência que aumentam a temperatura central e escrotal), a atividade física moderada e regular tem um efeito claramente positivo na saúde do esperma.

Uma revisão sistemática de 2017 concluiu que os homens que praticavam exercício moderado apresentavam parâmetros espermáticos significativamente melhores — incluindo maior contagem de espermatozoides, melhor motilidade e morfologia aprimorada — em comparação com homens sedentários. O exercício apoia a saúde do esperma através de vários mecanismos:

  • Regulação hormonal: O exercício regular apoia níveis saudáveis de testosterona e reduz o aumento do estrogénio associado ao tecido adiposo
  • Redução do stress oxidativo: O exercício moderado reforça as defesas antioxidantes do corpo
  • Gestão do peso: Manter um peso saudável através do exercício reduz muitos dos efeitos da obesidade que prejudicam a fertilidade
  • Melhoria da circulação: Um melhor fluxo sanguíneo apoia a função testicular

O tipo de exercício ideal para a saúde do esperma parece ser o exercício aeróbico de intensidade moderada (como caminhada rápida, natação ou ciclismo em baixa intensidade) combinado com treino de resistência. Os homens devem tentar fazer pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, juntamente com duas sessões de treino de resistência.

É importante evitar extremos. Homens que treinam para maratonas ou triatlos, ou que usam esteroides anabolizantes para musculação, podem observar reduções significativas na qualidade do esperma. Os esteroides anabolizantes, em particular, podem causar supressão severa e por vezes duradoura da produção de esperma ao perturbar o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal.

Toxinas Ambientais e Qualidade do Esperma

Uma das ameaças mais significativas — e menos controláveis — para a saúde do esperma moderno provém da exposição ambiental a químicos disruptores endócrinos (EDCs). São compostos sintéticos que interferem nos sistemas de sinalização hormonal do corpo, incluindo aqueles que regulam a produção de esperma.

Plásticos e Ftalatos

Bisfenol A (BPA) e ftalatos estão entre os disruptores endócrinos mais estudados. O BPA encontra-se em plásticos de policarbonato e no revestimento de latas de alimentos e bebidas. Os ftalatos são usados para tornar os plásticos flexíveis e estão presentes em embalagens de alimentos, cosméticos e produtos de cuidado pessoal. Ambos têm sido ligados a níveis reduzidos de testosterona, contagens de esperma mais baixas, motilidade pior e aumento da fragmentação do DNA em vários estudos humanos.

Passos práticos para reduzir a exposição:

  • Use recipientes de vidro, aço inoxidável ou cerâmica em vez de plástico para alimentos e bebidas
  • Evite aquecer alimentos no micro-ondas em recipientes de plástico
  • Escolha produtos rotulados como livres de BPA (embora alguns substitutos do BPA também tenham propriedades de disruptores endócrinos)
  • Prefira alimentos frescos, congelados ou secos em vez de enlatados sempre que possível
  • Verifique os ingredientes dos produtos de cuidado pessoal — procure a indicação "sem ftalatos"

Pesticidas

Pesticidas organofosforados e organoclorados têm sido associados à redução da contagem de espermatozoides, motilidade deficiente e taxas mais elevadas de morfologia anormal em trabalhadores expostos ocupacionalmente e em homens com maior exposição dietética a pesticidas. Homens que trabalham na agricultura, controlo de pragas ou na indústria onde manuseiam estes químicos enfrentam o maior risco. Para a população em geral, escolher produtos biológicos para culturas com alto uso de pesticidas (como morangos, maçãs, espinafres e pimentos) e lavar bem frutas e legumes pode ajudar a reduzir a exposição dietética.

Metais Pesados

Chumbo, cádmio e mercúrio têm sido associados à diminuição da qualidade do esperma. O tabagismo é uma das principais fontes de exposição ao cádmio. A exposição ocupacional em certas indústrias (pintura, soldadura, fabrico de baterias) é outra via. Limitar o consumo de peixe a 2–3 porções por semana (particularmente de peixes maiores e mais altos na cadeia alimentar, como atum e espadarte) pode ajudar a minimizar a exposição ao mercúrio.

Condições Médicas que Afetam a Fertilidade Masculina

Embora o estilo de vida e a nutrição desempenhem um papel importante na saúde dos espermatozoides, é igualmente importante compreender que condições médicas podem afetar significativamente a fertilidade masculina — e podem requerer tratamento para além das mudanças no estilo de vida.

Varicocele

Uma varicocele é um aumento das veias dentro do escroto, semelhante às varizes nas pernas. É a causa corrigível mais comum de infertilidade masculina, presente em aproximadamente 15% de todos os homens e em até 40% dos homens investigados por infertilidade. As varicoceles prejudicam a fertilidade principalmente ao aumentar a temperatura escrotal e criar um refluxo de sangue (e potencialmente metabólitos tóxicos da glândula adrenal) para a circulação testicular. A reparação cirúrgica (varicocelectomia) ou a embolização minimamente invasiva podem melhorar os parâmetros dos espermatozoides em muitos casos.

Testosterona baixa (Hipogonadismo)

A testosterona é a principal hormona sexual masculina e é essencial para a produção de espermatozoides. O hipogonadismo — seja primário (originado nos testículos) ou secundário (devido a problemas na glândula pituitária ou no hipotálamo) — pode reduzir significativamente a produção de espermatozoides. Os sintomas podem incluir baixo desejo sexual, fadiga, redução da massa muscular, depressão e disfunção erétil. Importa referir que a terapia de reposição de testosterona (TRT), embora trate a baixa testosterona, pode na verdade suprimir ainda mais a produção de espermatozoides — os homens que desejam ter filhos devem discutir isto com um especialista antes de iniciar a TRT.

Infeções

Infeções sexualmente transmissíveis (IST), como a clamídia e a gonorreia, podem causar inflamação do trato reprodutor (epididimite, orquite) que pode danificar os espermatozoides ou obstruir o transporte dos mesmos. A orquite por parotidite — inflamação dos testículos após uma infeção por parotidite — pode causar danos duradouros na produção de espermatozoides. A realização regular de rastreios para IST e o tratamento rápido são importantes para a saúde reprodutiva.

Desequilíbrios hormonais

Para além da testosterona, a regulação da produção de espermatozoides envolve uma cascata hormonal complexa, incluindo a hormona folículo-estimulante (FSH) e a hormona luteinizante (LH) da glândula pituitária. A prolactina elevada (hiperprolactinemia), perturbações da tiroide e condições adrenais podem todas perturbar este eixo e prejudicar a fertilidade. Análises ao sangue podem identificar estes desequilíbrios, muitos dos quais são tratáveis.

Anticorpos contra os espermatozoides

Em alguns homens, o sistema imunitário produz anticorpos que atacam os seus próprios espermatozoides — uma condição chamada anticorpos antiespermatozoides (ASA). Isto pode ocorrer após a reversão de vasectomia, infeção ou lesão no trato reprodutor. Os ASA podem prejudicar a motilidade dos espermatozoides e a capacidade destes de penetrar no óvulo. Tecnologias de reprodução assistida, como a fertilização in vitro com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), podem frequentemente ultrapassar este problema.

Quanto Tempo Demora a Melhorar a Saúde dos Espermatozoides? O Ciclo de 90 Dias

Um dos factos mais importantes — e encorajadores — sobre a saúde dos espermatozoides é este: os espermatozoides presentes numa ejaculação hoje começaram o seu desenvolvimento há aproximadamente 74–90 dias. Isto chama-se ciclo espermatogénico.

A espermatogénese — a produção de novos espermatozoides — demora aproximadamente 64–74 dias nos testículos, seguida de mais 12–21 dias de maturação enquanto os espermatozoides viajam pelo epidídimo. Quando os espermatozoides são ejaculados, representam o ambiente biológico de aproximadamente três meses antes.

Isto tem várias implicações importantes:

  • As mudanças demoram a manifestar-se: Se deixar de fumar, melhorar a sua alimentação ou começar a tomar suplementos específicos hoje, não deve esperar ver melhorias numa análise de sémen em poucas semanas — precisa de esperar pelo menos 3 meses para que os efeitos apareçam completamente
  • Exposições passadas são importantes: Um período de doença, um tratamento com antibióticos ou um período particularmente stressante no trabalho há três meses pode refletir-se numa análise de sémen hoje
  • A recuperação é possível: Os danos causados pela exposição ao calor, doença temporária ou um período de hábitos de vida pouco saudáveis são geralmente reversíveis em 90 dias, uma vez que a causa subjacente seja tratada
  • Comprometa-se com um programa de 90 dias: Para os homens que querem melhorar significativamente a saúde dos seus espermatozoides, comprometer-se com mudanças sustentadas no estilo de vida e suplementação durante um mínimo de três meses oferece a melhor hipótese de ver resultados mensuráveis

É por isso que, quando os casais se preparam para a conceção, é recomendado que os homens comecem a fazer mudanças no estilo de vida que apoiem a fertilidade pelo menos três meses antes de começarem a tentar conceber ativamente — ou três meses antes de qualquer procedimento de reprodução assistida, como a FIV.

A janela de 90 dias é também um motivador poderoso. Significa que, mesmo que a saúde dos espermatozoides de um homem esteja atualmente subótima, existe um caminho claro e limitado no tempo para a melhoria. Está, num sentido biológico muito literal, a produzir novos espermatozoides neste momento — e cada escolha que fizer nos próximos três meses irá moldar a sua qualidade.

Perguntas Frequentes Sobre a Saúde dos Espermatozoides

P: O que é considerado uma contagem normal de espermatozoides?

De acordo com os valores de referência da Organização Mundial da Saúde de 2021, uma concentração normal de espermatozoides é de pelo menos 16 milhões de espermatozoides por mililitro, com um número total de espermatozoides por ejaculado de pelo menos 39 milhões. No entanto, estes são valores de referência, não metas ótimas — muitos especialistas em fertilidade visam contagens mais elevadas ao otimizar para conceção natural ou resultados de FIV.

P: Posso melhorar a minha contagem de espermatozoides naturalmente?

Sim, em muitos casos. A contagem de espermatozoides responde significativamente a intervenções no estilo de vida, incluindo uma dieta melhorada (particularmente com aumento da ingestão de antioxidantes), exercício moderado regular, manutenção de um peso saudável, redução do álcool e tabaco, gestão do stress e evitar exposição excessiva ao calor. Suplementos nutricionais direcionados — especialmente aqueles que contêm zinco, selénio, CoQ10 e vitaminas antioxidantes — também demonstraram em estudos clínicos melhorar a contagem e outros parâmetros do esperma.

P: Quanto tempo demora a melhorar a qualidade do esperma?

Como o ciclo de produção de esperma demora aproximadamente 74–90 dias, deve esperar pelo menos três meses antes de repetir os testes após fazer mudanças no estilo de vida ou na alimentação. É por isso que os especialistas em fertilidade geralmente recomendam um compromisso de 90 dias com qualquer programa focado na fertilidade antes de avaliar os seus efeitos através de uma análise seminal repetida.

P: A idade afeta a fertilidade masculina?

Sim, embora o declínio da fertilidade masculina com a idade seja mais gradual do que nas mulheres. A contagem, motilidade e morfologia dos espermatozoides tendem a diminuir progressivamente após os 35–40 anos. A fragmentação do DNA do esperma — dano ao material genético — também aumenta com a idade. Homens com mais de 40 anos tipicamente apresentam taxas mais elevadas de mutações genéticas de novo no esperma. Embora os homens possam ser pais até idades avançadas, a idade paterna mais avançada é cada vez mais reconhecida como um fator no sucesso da conceção e na saúde da descendência.

P: A dieta realmente faz diferença na qualidade do esperma?

A pesquisa sugere fortemente que sim. Vários estudos observacionais e ensaios clínicos encontraram associações entre padrões alimentares e parâmetros do esperma. Uma dieta ao estilo mediterrâneo, rica em antioxidantes, gorduras saudáveis e micronutrientes, está consistentemente associada a uma melhor qualidade do esperma. Por outro lado, dietas ricas em carne processada, açúcar e gorduras trans estão associadas a parâmetros do esperma mais pobres. Nutrientes chave, incluindo zinco, selénio, folato, CoQ10, vitamina C, vitamina E e ácidos gordos ómega-3, têm todos evidências que apoiam o seu papel na saúde do esperma.

P: O stress pode causar infertilidade masculina?

O stress crónico pode afetar negativamente a fertilidade masculina através de vários mecanismos. O cortisol — o principal hormônio do stress — pode suprimir a produção de testosterona e perturbar a regulação hormonal da produção de esperma. Pesquisas encontraram associações entre o stress percebido elevado e uma menor concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. A gestão do stress, portanto, é um componente legítimo e apoiado por evidências numa estratégia de fertilidade masculina.

P: É seguro andar de bicicleta se estou a tentar conceber?

Andar de bicicleta a nível recreativo (algumas vezes por semana durante menos de uma hora) é improvável que tenha um impacto significativo na saúde do esperma. As preocupações relacionam-se principalmente com o ciclismo em grande volume (particularmente mais de 5 horas por semana) devido ao aumento da temperatura escrotal e pressão perineal. Homens que pedalam extensivamente e estão preocupados com a fertilidade podem querer reduzir o volume, usar um selim mais largo, levantar-se regularmente do selim e usar calções acolchoados adequados para minimizar a compressão.

P: Os laptops e telemóveis podem danificar o esperma?

Laptops apoiados no colo podem aumentar a temperatura escrotal o suficiente para prejudicar a produção de esperma ao longo do tempo — isto é principalmente um problema de calor e não de radiação. As evidências sobre a radiação eletromagnética dos telemóveis e a saúde do esperma são menos conclusivas, com alguns estudos a encontrar associações com redução da motilidade e aumento da fragmentação do DNA, e outros a não encontrarem efeitos significativos. Como precaução, manter os telemóveis fora dos bolsos das calças e evitar usar laptops diretamente no colo é uma medida razoável e de baixo custo.

P: O que é a fragmentação do DNA do esperma e isso importa?

A fragmentação do DNA do esperma refere-se a quebras ou danos nas cadeias de DNA contidas no esperma. Níveis elevados de fragmentação podem prejudicar a fertilização, o desenvolvimento do embrião e a implantação — e estão associados a taxas mais altas de aborto espontâneo, mesmo quando os valores da análise padrão do sémen parecem normais. A fragmentação do DNA pode ser causada por stress oxidativo, tabagismo, infeções, idade, exposição ao calor e varicocele. A suplementação com antioxidantes e o tratamento das causas subjacentes podem reduzir os níveis de fragmentação.

P: Quando devo consultar um médico sobre fertilidade masculina?

Se você e a sua parceira têm tido relações sexuais regulares sem proteção durante 12 meses sem conceber (ou 6 meses se a sua parceira tiver mais de 35 anos), é adequado procurar aconselhamento médico. Ambos os parceiros devem ser avaliados — uma análise de sémen para o homem e uma avaliação hormonal/ovariana para a mulher. Os homens também devem consultar um médico mais cedo se tiverem fatores de risco conhecidos, como histórico de testículos não descidos, lesão ou cirurgia testicular, orquite por papeira, ou sintomas de desequilíbrio hormonal (baixo desejo sexual, fadiga, redução de pelos corporais).

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